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05/10/08
Ivan Lins

Ivan Lins e os inseparáveis óculos

 

 

Além de compositor, cantor e pianista brasileiro famoso e admirado em nível mundial por fãs de jazz, soul e MPB, Ivan Lins consegue repetir ao inverso uma façanha do Super-Homem: disfarça-se ao tirar os óculos

Será que, ao tirar seu diploma de químico industrial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1969, o carioca Ivan Guimarães Lins imaginava que se tornaria famoso por uma síntese não química, mas musical, ao fundir MPB, jazz e soul music? O fato é que, desde o ano anterior, Ivan Lins vinha participando como compositor dos primeiros grandes festivais universitários de MPB, e desde antes vinha estudando piano por conta própria, após passar pela banda do Colégio Militar (“pede à banda pra tocar um dobrado”, cantaria ele anos depois em “Somos Todos Iguais Nesta Noite”) e residir três anos nos EUA. Outro fato é que uma das distinções do início dos anos 70 foi justamente sua consagração: enquanto Elis Regina lançou “Madalena”, ele próprio começou a emplacar um sucesso atrás do outro: “O Amor É O Meu País”, “Salve, Salve”, “Me Deixa Em Paz”...

Em meados da década de 1970 Lins continuava fazendo sucesso. Mas havia passado por mudanças. Como cantor – que anos depois seria chamado de “altamente confiável” por uma revista inglesa – , abandonou o estilo rascante que assimilara da cantora de soul Thelma Houston. Como compositor, começava a incorporar características da canção sertaneja, talvez por influência de seu novo letrista, o paulista de Ituverava Vitor Martins. E substituiu a barba por outro elemento que o tornaria ainda mais popular e reconhecível: os óculos.

Além de continuar colecionando sucessos – “Abre-Alas”, “Somos Todos Iguais Nesta Noite”, “Cartomante”, “Iluminado”, “Vitoriosa”, “Meu País” – , Ivan revelou-se como empresário e produtor, criando em 1991 a gravadora Velas, dedicada a música brasileira de qualidade e que ajudou a revelar ou divulgar talentos como Lenine, Rosa Passos, Almir Sater e a dupla caipira de raiz Pena Branca e Xavantinho. E sua repercussão internacional continuou crescendo; um dos raríssimos compositores brasileiros a ter obras gravadas em português por estrangeiros (“Madalena” com Ella Fitzgerald), Ivan Lins tem tido canções regravadas por artistas como Quincy Jones, o grupo Manhattan Transfer e George Benson, além de gravar com Lee Ritenour e outros. Agora, em 2005, ganhou o prêmio Grammy Latino de melhor álbum do ano por Cantando Histórias.

Aos nada aparentes 60 anos completados no último 16 de junho, Lins ainda tem muito a produzir – “Ainda fiz muito pouco! Há muita coisa pela frente”, declarou recentemente ao Jornal do Brasil – , inclusive preparando novo disco para 2006.

Você incorporou de vez os óculos à sua imagem pública há cerca de 30 anos. Mas tinha problemas de visão antes disso?

Sim. Tinha pequena miopia que foi aumentando com o tempo até tornar o uso dos óculos imprescindível.

Salvo engano meu, sua adoção do uso de óculos em público coincidiu com outras grandes mudanças, como a mudança de letrista (Ronaldo Monteiro de Souza dando lugar a Vitor Martins) e estilo musical (cada vez menos influência de soul music em favor do samba e da música folclórica e sertaneja). O uso de óculos foi reflexo consciente destas mudanças ou mera coincidência

Mera coincidência.

Alguma grande preocupação com escolha de cores e tipos e marcas de armações e lentes?

Sim. Sempre. Opto geralmente pela leveza, certa discrição, forte tendência para o "clean" e praticidade.

Há famosos tímidos que dizem que os óculos servem como uma espécie de proteção. É o seu caso?

Não. Não é o meu caso, definitivamente. E eu adoro óculos!

Qual a primeira celebridade que lhe vem à mente quando pensa em óculos?

John Lennon e Ghandi.

Quantos pares de óculos você tem? Tem algum preferido? Por quê?

Muitos. Prefiro os leves, que não soltam parafusos e são multifocais. Sou míope do olho direito e, no esquerdo, tenho hipermetropia. Praticamente uso dois, ambos sem aro nas lentes, portanto bem "clean".

Alguma história engraçada/ tragicômica envolvendo óculos?

Precisava comprar uma jóia de aniversário para Valéria, minha mulher. Era domingo. Estava em São Paulo, fazendo temporada no antigo Palace (hoje Direct TV Hall). Fui ao Shopping Ibirapuera. Lotado. Tirei os óculos. Cheguei na vitrine da joalheria sem ninguém me reconhecer. Não enxergava as jóias direito. O vidro não deixava. Sou míope (3,5). Aí, olhei para um lado, para o outro, ninguém prestando atenção em mim. Puxei os óculos do bolso e, sorrateiramente, coloquei-os para enxergar as jóias. No que coloquei, veio o primeiro grito: "Ivan Lins!!!" Não deu pra ficar no Shopping. Assédio imediato. Voltei pro hotel.

Segundo uma revista semanal de informação, você, atualmente residindo em Teresópolis, declarou: “Quando não quero ser reconhecido, tiro os óculos e viro um anônimo”. Apenas uma boa frase de efeito ou você realmente consegue passar despercebido na região?

Pela historinha acima, dá pra ver que funciona. Parece incrível, mas ainda funciona. Claro que não 100%. Eu diria 95%, o que ainda impressiona... graças a Deus.

Você já tem longa carreira internacional, com músicas regravadas por Ella Fitzgerald ("Madalena"), Quincy Jones ("Velas"), George Benson ("Dinorah, Dinorah") e muitos outros. Como está sendo a experiência de compor com grandes nomes da música internacional como a norte-americana Carole King, o uruguaio Jorge Drexler e o italiano Lucio Dalla?

Nova, novíssima e maravilhosa. Estou interagindo integralmente com a música deles e feliz por saber que eles respeitam muito a minha.

Algum comentário sobre o Prêmio de Melhor Álbum que acaba de ganhar no Grammy Latino como único representante do Brasil nas principais categorias do prêmio?

Espero ter aberto uma nova porta para uma assimilação mais substanciosa da melhor música brasileira pelo mercado hispânico, o que não tem acontecido.

Alguma previsão para lançamento de seu novo disco de músicas inéditas?

A previsão mais otimista é abril de 2006. Mas temos até junho.



Fonte: Ayrton Mugnaini Jr. - Revista 20/20 Brasil



           


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