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10/05/08
Léo Jaime

Sessão da tarde com Léo Jaime

 

 

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Mais que um grande nome do rock dos anos 80, Léo Jaime soube se afirmar em outros campos, como jornalista ou ator, mostrando que sempre enxerga muito bem por trás de seus óculos escuros

O rock brasileiro dos anos 80 já virou História e objeto de estudo dos mais interessantes e o cantor e compositor goiano Léo Jaime é um caso à parte. Enquanto quase todos os outros roqueiros seguiam modelos estrangeiros então recentes como a new wave, o punk e darkismos em geral, Léo – a princípio como vocalista da banda carioca João Penca e Seus Miquinhos Amestrados – dedicou-se a resgatar o rock moleque e bem-humorado dos anos 50, em composições próprias ou versões paródias e deliciosamente infames. E seu visual ajudou muito: quase sempre de jeans, camiseta e, naturalmente, óculos escuros.

Praticamente todo o Brasil cantou e dançou sucessos de Léo como “As Sete Vampiras”, “Conquistador Barato”, “Nada Mudou”, “A Fórmula Do Amor” (parceria com Leoni do Kid Abelha e também gravada por eles) e “Rock Da Cachorra” (lançada por Eduardo Dusek), além de versões como “Johnny Pirou” (“Johnny B. Goode”) para Ney Matogrosso e “Hot Dog” (“Hound Dog”), lançada por Ângela Ro Ro. Com o tempo, Léo Jaime revelou-se não só bom intérprete de canções mais “sérias” como “Preciso Dizer Que Te Amo” de Cazuza e “Coração Vagabundo” de Caetano Veloso, mas também emérito profissional multimídia, trabalhando como ator (em peças como “Os Saltimbancos” e “Vitor Ou Vitória?”, filmes como “As Sete Vampiras” e “Rock Estrela” e telenovelas como “Bebê A Bordo”), jornalista e escritor (coluna semanal no jornal O Globo e participação em uma coletânea de crônicas) e produtor de eventos.

Após um relativo sumiço durante a segunda metade dos anos 90, Léo Jaime voltou com tudo, sendo talvez o artista dos anos 80 que melhor soube aproveitar o revival da época, sem desperdiçar esforço com apelos fáceis ou nostalgia óbvia.

Você sempre incorporou óculos à sua imagem pública, especialmente os escuros, desde pelo menos a capa do disco Phodas C. Tem algum problema de visão? Usa também óculos de grau ou lentes de contato?

Uso óculos e lentes de contato, embora ultimamente as lentes que preciso não sejam fáceis de encontrar. São lentes para ceratocone. Fiz uma cirurgia para miopia há mais de 20 anos e um dos olhos ficou com cicatrizes irregulares, a córnea não tem um formato que aceite lentes comuns e o grau é muito alto.

Alguma preferência por tipos específicos de óculos? Tem uma marca preferida de armação? E que tipo de lentes prefere?

Lentes que sejam leves e não reflitam a luz.

Quantos pares de óculos você tem?
Dois de lentes claras e um para o sol, com grau também.

Tem algum par preferido, algo na linha “óculos da sorte” ou coisa do gênero?

Um é o preferido, o que ganhei do Ventura, onde mandei fazer as outras armações. É uma armação branca bolada por ele.

Você acha que certos artistas usam óculos para esconder a timidez?

Eu mesmo uso óculos escuros no palco para não ficar ofuscado pelas luzes e para enxergar menos o público e me sentir mais à vontade. Sou tímido.

Alguma história engraçada ou trágica envolvendo óculos?

Não que me lembre, mas às vezes posso ter deixado de cumprimentar algumas pessoas porque não enxergava mesmo. Óculos escuros sem grau dá nisso (risos).

Você acha que o uso de óculos escuros ajudou em sua carreira como ator de cinema, inclusive em filmes como “Rock Estrela”?

Acabou virando uma marca minha.

Que tal a experiência como escritor na coletânea “Blônicas”? Pretende se aprofundar nessa carreira?

Venho sendo cronista em jornais e revistas há anos. Recentemente tive um texto encenado com sucesso e já escrevi para a televisão algumas vezes. Quem sabe uma hora destas eu paro para fazer um livro meu. Vamos ver se tenho tempo e assunto para um livro inteiro.

Como você compara o mercado musical de hoje com os anos 80?

Não sei dizer exatamente o porquê, mas me parecia mais fácil naquela época. Discos eram vendidos em lojas e não em gôndolas de supermercados.

Como é viver de música estando há mais de dez anos sem gravadora? Fale também sobre seu recente single independente.

É dureza, tenho que nadar contra a correnteza o tempo todo. Estou gravando inéditas agora, vamos ver se consigo lançar de modo que o público interessado em minhas músicas fique sabendo. É difícil mas não impossível. E eu vou tentar.


– Algum plano para disco de músicas inéditas, independente ou não?

Estamos em estúdio no meio das gravações. E está ficando muito bom. Em breve começaremos a divulgar as novidades. Em breve!

Fonte: Revista 20/20 por Ayrton Mugnaini Jr.
Fotos: Maria Clara Diniz




           


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