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19/08/09
Entrevista Prof. Dr. Marcos Ávila

Universidade oferece visão solidária

 

 


Centro Oferece cerca d 20 mil atendimentos por mês


Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás completa dez anos com atendimento de unidade na rede pública

Por Matheus Álvares do jornal Diário da Manhã

Às vésperas de completar dez anos, o Centro de Referência em Oftalmologia (Cerof), ligado à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), faz justiça ao nome. A unidade, que em 1999 ocupava uma sala pequena, realiza hoje quase 20 mil procedimentos por mês, entre consultas, exames e cirurgias. Em 2007, a equipe, formada por 48 médicos e 94 funcionários, comemorou a marca de um milhão de pacientes atendidos, todos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nosso serviço está entre os dez maiores prestados pelo SUS”, comemora o diretor do centro, o oftalmologista e professor da UFG Marcos Ávila. Atualmente, a equipe busca recursos para ampliar o prédio e construir um centro de pesquisa em células-tronco. A terapia é a esperança para a cura de doenças degenerativas da visão, especialmente as que atacam a retina e nervo óptico.

Diário da Manhã – Qual a estrutura atual do Cerof?
Marcos Ávila – O Cerof começou com uma sala pequena, no primeiro andar. Hoje temos 48 médicos oftalmologistas e 94 funcionários que trabalham exclusivamente com clientela do SUS. Não atendemos convênio. São pacientes de necessidade mesmo. Temos um dos melhores centros cirúrgicos do Estado de Goiás, com microscópios e equipamentos de última geração. Todos os procedimentos são realizados aqui. Temos a enfermaria para recuperação pós-operatória, mas na oftalmologia, hoje, os pacientes operam e vão para casa imediatamente.

DM – Existe alguma fila de espera, encaminhamento, ou os pacientes marcam a consulta por conta própria?
Marcos Ávila – Nós trabalhamos integrados às secretarias Municipal e Estadual de Saúde. Os pacientes são atendidos nas unidades do Estado e município e, de lá são enviados ao Cerof. As secretarias mandam a lista de pacientes a serem atendidos.

DM – Em média, são quantos atendimentos em um dia?
Marcos Ávila – Pode chegar a 200 ou 250 atendimentos. Depende do dia. Temos no geral entre 18 e 20 mil procedimentos por mês. São entre seis e sete mil consultas, além dos exames e cirurgias. Nosso serviço está entre os dez maiores prestados pelo SUS no País, em volume de atendimento e qualidade.

DM – E a estrutura do Cerof consegue atender à demanda?
Marcos Ávila – Temos toda uma estrutura: uma farmácia própria com controle de qualidade melhor ou igual aos hospitais privados. Todos os medicamentos têm controle de temperatura. As lentes intraoculares, para cirurgia de catarata, por exemplo, sofisticadas. Usamos materiais de primeira. E aí questionam: “Mas isso é o básico”. Não é. É muito difícil chegar a este nível. Nos outros hospitais públicos e a maioria dos privados não se consegue a organização que temos aqui.

DM – Os pacientes não em nenhum ônus?
Marcos Ávila – Zero. Então isso é uma vitória para o sistema público brasileiro. Um exemplo. Médicos do Brasil inteiro vêm nos visitar para ver como se gere um hospital universitário dentro de um contexto de recebimento exclusivo do SUS.

DM – Atualmente o Cerof integra programa de diagnóstico à distância. Como funciona?
Marcos Ávila – Esse é um projeto da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) com o Ministério da Saúde, que já existe há dois anos. Pretendemos, em pouco tempo, ensinar agentes do Programa Saúde da Família (PSF) os cuidados primários e como diagnosticar doenças oculares. O agente de saúde fotografa o olho do paciente e nos manda as imagens pela internet. Aqui nós diagnosticamos o problema à distância. Nós temos tecnologia para isso. Os equipamentos serão disponibilizados nas cidades-polo. Lá, pessoas serão fotografadas e as imagens vêm para central, em Goiânia.

DM – Quantas cidades já são atendidas pelo programa?
Marcos Ávila – Temos 103 pontos no Estado de Goiás, em 84 municípios. São dez pontos em Goiânia, dez em Aparecida. Nem todos os postos têm o equipamento completo, mas já estão sendo capacitados. Fazemos rodízio com os aparelhos nos municípios. Temos também uma sala de teleconferência, de onde transmitimos para todas as microrregiões.

DM – A que público é destinado este programa de saúde?
Marcos Ávila – A toda a população, mas obviamente nosso público-alvo são pacientes do SUS. Todos têm direito à saúde no Brasil, mas a realidade é que 100% dos pacientes da rede pública são da faixa carente da população.

DM – Qual a média de pacientes que este programa pode atender por mês?
Marcos Ávila – Uma vez funcionando a todo vapor, esperamos que, por mês, possamos triar cerca de 20 a 25 mil pacientes. Não digo tratar, mas triar, examinar e dar diagnósticos à distância.

DM – E no caso de pacientes que precisam de cirurgia?
Marcos Ávila – Só virá para tratamento quem efetivamente precisar. Descobrimos os doentes no local de origem. E, dependendo do tipo de tratamento, ele será feito na cidade-polo ou encaminhado para Goiânia.

DM – O Centro também desenvolve pesquisas?
Marcos Ávila – Recebemos estudantes da Faculdade de Medicina, além de residentes. Temos também programa para pós-residentes, de um ou dois anos, que chamamos de fellowship. Fazemos pesquisas em cirurgias de córnea, catarata, glaucoma e retina. Temos mestrado e também doutorado. Além disso, participamos de pesquisas internacionais na área de oftalmologia. Nossa presença em congressos especializados é intensa. Estamos atrás de recursos para fazer um centro de estudos de teoria molecular, terapia gênica e céluas-tronco.

DM – No que se refere às pesquisas com células-tronco, quais as perspectivas dentro da oftalmologia?
Marcos Ávila – Temos muita esperança no tratamento de doenças degenerativas e hereditárias, principalmente as da retina. Temos estudado adquirir tecnologia para iniciar pesquisas na área. Um dos nossos ex-alunos, Luiz Alexandre Gabriel Rassi, voltará no próximo ano dos Estados Unidos e trabalhará com a equipe do Cerof. Do exterior ele trará para o Centro toda parte de terapia gênica e células-tronco.

Entrevista - Matheus Álvares
Foto - Alex Malheiros



           


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