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4/5/2006
Diálogo mundial sobre saúde ocular

No maior encontro internacional de oftalmologia já visto, 130 ONGs de 30 países se reuniram para encontrar formas de melhorar a saúde ocular da população mundial

Troca de experiências e busca de união na luta pela erradicação da cegueira evitável no mundo até 2020. Essas foram as principais conquistas do 1º Fórum de Organizações Não-Governamentais (ONGs) sobre Visão e Prevenção de Cegueira, evento que abriu o Congresso Mundial de Oftalmologia em meados de fevereiro. Pela primeira vez sediado em um país da América Latina, o fórum reuniu cerca de 130 entidades de mais de 30 países.

As dissertações, assistidas por oftalmologistas, representantes de entidades, profissionais da indústria, além de autoridades políticas, foram divididas em cinco temas: Prevenção de Cegueira, Qualidade de Vida do Deficiente Visual, Interação entre ONGs e Programas de Educação e Saúde, Gerenciamento de Recursos Humanos e Econômicos e Políticas Públicas e Direitos Civis. O Fórum foi aberto pelo presidente do Congresso Mundial, Rubens Belfort Jr., e coordenado pela presidente do Fórum, Silvia Veitzman.

Entre os dados mais alarmantes apresentados foi a existência de mais de 37 milhões de casos de cegueira no mundo, dos quais 75% poderiam ter sido evitados. Outra constatação que preocupa os profissionais da área é o fato de 124 milhões de pessoas atualmente apresentarem algum tipo de deficiência visual. A participação mais efetiva dos governos locais e mais parceiras com entidades também foram discutidos durante a reunião.

A ex-prefeita de São Paulo e deputada federal Luiza Erundina, presente ao encontro, elogiou a iniciativa da classe médica e concordou com a tese de que falta uma parceria maior entre o poder público e organização civil. “É um processo de solidariedade e trocas entre sociedade civil, que se expressa por meio de ONGs, e as instituições de governo, que representam as políticas públicas realizadas. Sendo um evento mundial, essa troca apresenta um potencial muito maior. Isso é muito importante, mas é preciso estimular cada vez mais para suprir as deficiências e limitações do Estado”, analisou.

Para Silvia, é fundamental que essa união aconteça o mais rápido possível, para que o objetivo seja alcançado. “Tem que trabalhar em parceira. Não vamos substituir o trabalho do governo, mas podemos mostrar caminhos para atingir as metas. Existem boas idéias que podem ser aproveitadas, utilizando o know-how das entidades”, afirmou. O encontro também serviu para a formação de um cadastro único de entidades sociais ligadas ao tema.

A segunda reunião de entidades já tem data marcada: será em 2008, em Hong Kong, na China, sede do próximo Congresso Mundial de Oftalmologia.

Iniciativas reais

O príncipe da Arábia Saudita, Abdulazis Al Saud, outra autoridade presente no Fórum, enalteceu o trabalho desenvolvido pelas entidades. “Encontros como esse indicam a necessidade de se criar esforços para a implantação de programas de prevenção e até erradicação da cegueira em todo o mundo o quanto antes”, disse. O presidente do Mundial Belfort Jr. propôs um encontro naquela região, no próximo ano, para discutir o tema com países do Oriente Médio. “Estou feliz por perceber que, apesar de termos línguas e culturas diferentes, temos os mesmos sonhos e ideais”, completou o oftalmologista brasileiro.

O membro da família real árabe é portador de retinite pigmentosa (doença genética que atinge de um a cada 15 mil nascimentos) e coordena uma instituição de combate à cegueira na Arábia Saudita. “Consigo ver melhor no claro que no escuro, mas aprendi a usar os recursos de visão subnormal. Hoje, entretanto, já existem programas de computador que ajudam a desenvolver atividades com sucesso“, explica o árabe. “Sou um exemplo de que é possível enxergar mal, mas ter sucesso e ajudar aos outros.”

O paraguaio Rainald Duerksen, coordenador do Programa 2020 da Agência Internacional de Prevenção à Cegueira (IAPB) na América Latina, destacou a responsabilidade dos governos no combate à doença, mas ressaltou a carência encontrada em muitos países. “Os governos são responsáveis pela política de saúde, mas nem todos têm o Sistema Único de Saúde (SUS), como o Brasil. Os países latino-americanos dão prioridades para outros tipos de enfermidades. No Paraguai, por exemplo, mais de 50% da população não tem acesso aos serviços de saúde oftalmológica. E é para essas pessoas que temos que encontrar solução”, analisa. “Somente os oftalmologistas e as ONGs não conseguem resolver o problema das pessoas que ficam cegas, mas que poderiam ser evitadas. É importante a união para acabar com a cegueira, inimigo comum de todos. Mas para isso é importante coordenação”, enfatizou Duerksen.

Fonte: Sérgio Vieira



           


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