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9/5/2006
Estudo fornece visão do nascimento de uma célula da retina

Cientistas descobriram uma pequena janela, durante a qual uma célula é designada para uma função particular, mas ainda não começou a exercê-la

Cientistas da Universidade de Michigan tiveram uma nova visão do modo como um célula embrionária da retina se desenvolve e então se compromete com uma função específica. Eles observaram uma pequena janela de oportunidade, durante a qual uma célula é designada para uma função particular, mas ainda não começou a exercê-la. A descoberta fornece um novo ponto para entender como o sistema visual saudável se desenvolve. Ela também aumenta a possibilidade de redirecionar a produção de tipos de células necessárias para evitar doenças oculares.
O estudo fala sobre o papel do regulador genético NRL, que já se mostrou essencial para o desenvolvimento dos bastonetes, as células fotossensíveis necessárias para a visão. Organizado por Anand Swaroop, professor de oftalmologia e ciências visuais e de genética humana, o estudo apareceu na edição de 7 de março da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Na PNAS, a equipe de Swaroop reporta que o NRL é o primeiro marcador dos precursores dos bastonetes, ou células que estão fadadas a se tornarem bastonetes. Os cientistas chegaram a essa visão do desenvolvimento dos bastonetes usando, em ratos, uma seqüência reguladora de DNA NRL para produzir uma proteína que aparece em verde fluorescente quando exposta à luz azul. Essa proteína fluorescente permite aos cientistas identificar até mesmo poucas células que estão destinadas a ser bastonetes nos primeiros estágios de desenvolvimento.
"Pela primeira vez nós tivemos a oportunidade de ver as células da retina no começo do desenvolvimento, permitindo que apontássemos o exato momento em que os bastonetes ´nascem´", disse Swaroop. "Porque as células foram marcadas, nós podemos vê-las em cada passo enquanto se desenvolvem para bastonetes maduros e funcionais". Os cientistas então purificaram os bastonetes em vários estágios e geraram o perfil dos genes em cada um destes estágios. Isso, pela primeira vez, forneceu um meio de investigar o processo de diferenciação dos bastonetes.
Os bastonetes, junto com os cones, são fotorreceptores, que constituem de 70% a 80% de todas as células da retina adulta. Os bastonetes são maiores em número do que os cones.
Danos aos fotorreceptores são a raiz das doenças oculares como a retinopatia diabética, retinite pigmentosa, e degeneração macular. Na maioria dos casos, incluindo a degeneração macular relacionada ao envelhecimento, os bastonetes morrem antes dos cones.
Enquanto o olho se desenvolve, os bastonetes começam como células-tronco, o que significa que ainda não adotaram nenhuma função e poderiam, teoricamente, crescer para se tornar qualquer tipo de célula. Durante o caminho, essas células mudam sua expressão genética e adquirem uma competência para se tornar um tipo de célula específico. A um certo ponto, a divisão celular pára, e a célula está fadada a ter uma certa função.
A equipe de Swaroop também confirmou que quando o NRL está ausente, um precursor de bastonete muda seu curso e adquire a identidade de um cone. "Essa descoberta em particular implica na existência de reservas de células progenitoras com competência para se tornar um bastonete ou um cone", explica ele. "Acreditamos que durante os primeiros estágios de desenvolvimento, essas células não estão completamente comprometidas a um destino específico; há uma oportunidade para os reguladores como o NRL instruírem essas células para que produzam bastonetes ou cones".


Fonte: Estadão




           


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