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21/3/2005
Prevenção: Acidente Vascular Cerebral (AVC) Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame cerebral, é um evento inesperado e danoso que acomete uma das artérias que irrigam o cérebro, danificando a área por ela irrigada. Existem dois grandes grupos de acidentes vasculares cerebrais: os isquêmicos e os hemorrágicos. O cérebro é uma estrutura altamente vascularizada, com inúmeras artérias. Quando uma dessas artérias sofre oclusão, o território que deve ser irrigado por ela entra em processo de anoxia (falta de oxigênio) e muitas células, principalmente neurônios, morrem. Esses eventos caracterizam o acidente vascular cerebral isquêmico, que representa mais ou menos 80% dos casos. O hemorrágico acontece quando uma artéria se rompe e o sangue que deixa escapar dá origem a um hematoma ou coágulo, que provoca sofrimento no tecido cerebral. Causas e fatores de risco Existem causas e fatores não-modificáveis que provocam o AVC como, por exemplo, a idade e a genética. Com o passar das décadas, aumenta o risco de desenvolver acidentes vasculares cerebrais. Mas há também fatores de risco modificáveis. Pela ordem, os principais são: a hipertensão arterial, o diabetes, as doenças cardíacas, o tabagismo, vida sedentária e obesidade. Sintomas Em se tratando de AVC, como a apresentação dos sintomas é muito variada, a dificuldade em reconhecê-los é maior, o que pode aumentar a demora na busca de atendimento e agravar o problema. Acidentes vasculares cerebrais, de modo geral, provocam alterações motoras, assim como dormência e formigamento que, com freqüência, acometem apenas um lado do corpo. A pessoa pode sentir ainda súbita fraqueza muscular (total ou parcial) ao segurar um objeto, mexer a mão, a perna ou o rosto. Podem ocorrer também alterações da visão como redução do campo visual, ou enxergar um lado meio nebuloso ou escuro, ou a perda total da visão de um dos olhos. Outros sintomas comuns são as alterações da fala (arrastada ou com dificuldade de articulação ou de expressão). Os sintomas se instalam subitamente: o indivíduo vai dormir bem e acorda com um problema motor, por exemplo, ou está trabalhando e de repente não consegue realizar determinada atividade. Dor de cabeça, vômitos ou perda de consciência são sintomas que podem ocorrer ou não, e são mais comuns nos quadros hemorrágicos do que nos isquêmicos. Existem também áreas do cérebro relacionadas com certas funções que, quando acometidas por AVC, produzem alterações que podem não ser notadas nem pelas pessoas ao redor nem pelo próprio paciente, por exemplo, alterações de percepção de certas partes do corpo (agnosia), mais comum no lado esquerdo do corpo, agnosia visual (dificuldade para reconhecer objetos ou semblantes de pessoas conhecidas) e distúrbios de memória. O acidente vascular isquêmico chamado de lacuna (porque provoca uma lesão pequena dentro do cérebro), mais comumente visto em pessoas com fatores de risco como a hipertensão arterial, pode ocorrer várias vezes sem a pessoa perceber, ou porque não sente nada, ou porque o quadro dura pouco tempo, ou porque as alterações se normalizam depois de alguns dias. No entanto, esses pequenos acidentes somados vão acometendo a memória, a forma de andar – os passos ficam mais curtos – e comprometem o equilíbrio. Além disso, o AVC lacunar múltiplo prejudica a deglutição – a pessoa engasga com muita freqüência – e provoca maior labilidade emocional (a pessoa fica mais emotiva). Pronto-atendimento Diante da suspeita de um derrame cerebral é fundamental procurar um serviço médico de emergência para atendimento imediato, mesmo quando o indivíduo apresenta sintomas transitórios como, por exemplo, um braço adormecido por cinco ou dez minutos, que depois volta ao normal. Talvez o sintoma não mais exista, mas a investigação urgente da causa desencadeante do problema pode prevenir a ocorrência de outro episódio em curto espaço de tempo. Procedimentos caseiros como dar remédio para a hipertensão arterial, amoníaco para cheirar, ou fazer o paciente deitar-se por alguns minutos não são recomendados, assim como não se deve oferecer nada para a pessoa beber. Tratamento Atualmente é possível reduzir os danos provocados pelo AVC desde que ele tenha acabado de acontecer. Se ocorreu há vários dias, porém, pouco pode ser feito, porque os danos já estarão instalados. Algumas estatísticas mostram que acidentes vasculares isquêmicos transitórios podem ser prenúncio de um quadro definitivo que pode se instalar nas 48 horas seguintes. Assim que a pessoa chega ao hospital avalia-se o mecanismo desencadeante dos sintomas do AVC transitório que, muitas vezes, já desapareceram. Mesmo para os pacientes que chegam ao hospital com um quadro isquêmico mais dramático e alterações mais graves e intensas, existem tratamentos possíveis. O mais novo chama-se trombólise e consiste no uso de uma substância, normalmente por via endovenosa, para destruir o coágulo que obstruiu a artéria cerebral. Mas nem todos os pacientes podem receber o tratamento trombolítico. O principal critério para indicá-lo está diretamente ligado ao tempo que o paciente leva para chegar ao hospital: no máximo, três horas depois do início dos sintomas. O paciente com AVC pode ter distúrbios de deglutição e alterações de pressão arterial extremamente perigosos. Os níveis da pressão arterial, em alguns casos, precisam ser rigorosamente controlados. Quanto ao diabetes, cuja descompensação da doença na fase aguda e imediata ao AVC piora o prognóstico, é fundamental controlar rigorosamente os níveis da glicemia. Essas medidas, somadas ao início precoce da fisioterapia, colaboram para melhores resultados na recuperação das funções comprometidas pela doença. Como evitar Identificar os fatores de risco e modificar os que podem ser modificados é o mais importante para prevenir a doença. Controlar com rigor a pressão arterial e o diabetes, deixar de fumar e realizar atividade física representam grande benefício. Se a pessoa tem alguma doença cardíaca, deve procurar um médico para obter orientação preventiva. Além disso, se ocorrer algum sintoma que possa sugerir AVC, mesmo transitório, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente para, se necessário, controlar a doença e prevenir complicações. Fonte: Extrato da entrevista concedida ao Dr. Drauzio Varella pelo Dr. Eli Evaristo, médico neurologista do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e do Hospital Osvaldo Cruz.
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