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24/1/2006
Cegueira avança pelo Rio Araguaia

Já são 197 os casos de lesão ocular (de causa desconhecida) no Tocantins, desde novembro de 2005, quando a Vigilância Epidemiológica do município de Araguatins relatou as primeiras incidências da doença. Todas as ocorrências foram registradas no município, mas há suspeitas de pessoas com os mesmos sintomas nas cidades de Pau D’Arco, Araguacema, Xambioá, Caseara, Araguanã e Espertina. Os aspectos são recorrentes: vermelhidão nos olhos, granuloma (caroço no globo ocular), coceira, ardência, catarata e problemas para enxergar. Todos tiveram algum tipo de contato com o Rio Araguaia, normalmente tomaram banho.

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins (Sesau), dois pacientes com a doença em estado grave foram tratadas em Minas Gerais. Breno de Souza Costa, 11, e Moisés Teixeira da Silva, 12, sofreram intervenções cirúrgicas no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Breno recuperou a visão, mas Moisés não teve a mesma sorte. Um de seus olhos foi retirado, sendo necessária a colocação de uma prótese. Segundo a Sesau, crianças de 3 a 15 anos de idade são 85% dos casos.

Ainda não se sabe o que provocou o surto de lesões no Estado. Especula-se que a doença tenha sido provocada por um parasita (trematódeo) que teria caramujos como hospedeiros, ou através de um parasita da família dos nematódeos, que utiliza cães e gatos para se hospedar.

A Sesau ainda aguarda o resultado do material coletado nos pacientes, que foi enviado para análise nos laboratórios da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), em Belo Horizonte. Os resultados são aguardados para fevereiro.

Fungos – No início de dezembro, o Ministério da Saúde enviou uma amostra do parasita que seria o causador da doença ao patologista Mário Moraes, do Centro de Anatomia Patológica do Hospital Universitário de Brasília. Em seu relatório, o patologista afirma que as lesões não são provenientes de caramujos e, sim, do fungo Emmonsia crescens, que é causador da doença Adispiromicose, semelhante a uma conjuntivite.

Segundo Mário Moraes, que é especialista em estudos de parasitas, este tipo de fungo cresce na terra e se dissemina pelo ar. Nesse sentido, o fato de todas as pessoas infectadas terem tomado banho no Rio Araguaia seria uma coincidência, afinal, tal prática é comum na cidade de Araguatins.

Fonte: DM - Marcos Araken




           


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