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3/2/2006
Cega defende tese sobre o ensino musical em braille

A escassez de investimentos na transcrição de partituras e a falta de conhecimento dos professores de música são questões apontadas na tese de Fabiana Bonilha que prejudicam o ensino da notação musical na linguagem braille

Pouca informação, compensadas com muitas horas de estudo e pesquisa. Essa é a conclusão de uma tese de mestrado sobre a realidade do ensino musical para cegos, que será (foi) defendida hoje, ás 10 horas, no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pela bacharel em piano erudito Fabiana Fator Gouvêa Bonilha, a primeira cega a concluir o curso de pós-graduação na instituição de ensino.

Aos 27 anos, ela se espelhou na própria realidade para chegar ao tema e se orgulha de trilhar novos caminhos, mas faz questão de ser reconhecida pelo talento e não pelas características físicas que diferenciam dos demais alunos.

"O importante é ter reconhecimento pelo trabalho, não pela deficiência. Mas acho fundamental ter vencido desafios", afirma a pós-graduanda. Com a tese Leitura Musical na Ponta dos Dedos: Caminhos e Desafios do Ensino da Musicografia Braille na Perspectiva de Alunos e Professores, ela concluiu que o ensino da notação musical na linguagem braille - que os deficientes visuais percebem pelo tato- é falho principalmente pela escassez de investimentos na transcrição de partituras (em todo o Estado há apenas uma instituição dedicada a isso), e pela falta de conhecimento dos professores de música, com pouca experiência em lecionar para cegos.

"Em geral, o cego acaba sendo autodidata, procurando livros de teor musical transcritos para o braille. Mas, eles não são didaticamente organizados e isso exige um grande esforço", acredita.

Esforço que ela mesma fez para concluir a pós-graduação. "Foi complicado fazer o levantamento e escrever a tese, com todas as refefências e o formato exigido pelas normas técnicas; tive muita ajuda, mas foi preciso abrir portas nesse sentido na Unicamp", comenta.

Portas que ela se acostumou a cruzar cedo, desde que, aos 07 anos iniciou os estudos no Conservatório Carlos Gomes. A dedicação precisou ser dobrada porque, mesmo tendo em mãos o raro material transcrito, os cegos precisam decorar a partitura, já que as mãos ficam ocupadas com os instrumentos. Fabiana também desbravou outras áreas, como a Psicologia, outro curso superior que já concluiu, na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puc).

E a sede de aprender ainda não acabou. Além de transcrever várias peças para o braille, em março ela começa o doutorado na universidade, com a meta de aprofundar o tema do mestrado...".

Segundo a assessoria de imprensa da Unicamp, há hoje (02) dois alunos com baixa visão na graduação e (01) um na pós-graduação. Os cegos plenos são três na pós e um na graduação..."

Fonte: Correio Popular



           


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