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13/6/2004
Atrofia progressia da retina: doença que causa cegueira no cão

A Degeneração Progressiva da Retina ou Atrofia Progressiva da Retina é uma doença que afeta as células da retina causando a cegueira do cão. Em algumas raças, a origem da cegueira é dada por desenvolvimento anormal da retina, chamado de displasia da retina.

A Atrofia Progressiva da Retina (PRA) é um processo lento de degeneração do tecido da retina, de fundo genético, transmitido por genes recessivos. Por isso, em diversos países as entidades de raças exigem que os futuros reprodutores sejam avaliados e os que possuem os genes para a PRA sejam esterelizados, como forma de diminuir a incidência do problema.

A PRA pode acometer qualquer cão, independente da raça, mas algumas raças têm apresentado maior propensão para o seu desenvolvimento, entre elas, o Poodle, o Setter Irlandês, o Labrador, o Akita, Collie, Dachshund, Samoieda, Cocker Spaniel, Schnauzer Miniatura e Golden Retriever. Outro fator importante e determinado pela raça do cão é a idade em que o processo aparece. Segundo estudos americanos, os Collies e Setters Irlandeses desenvolvem a PRA antes de 1 ano de idade. Já os Schnauzers Miniatura e o Akita podem desenvolver a PRA apenas a partir dos 3 anos.

É a principal causa hereditária de cegueira em várias raças puras de cães. É também conhecida como Displasia dos bastonetes tipo-1. Clinicamente consiste em profundo dano visual observado muito cedo, logo após o animal estar suficientemente maduro para testar sua função visual (5-6 semanas de idade). Ao exame clínico o fundo do olho parece normal até 3-4 anos de idade. Cães mais velhos podem mostrar súbitas anomalias de retina que indicam o processo degenerativo progressivo.



Como funciona a Retina?

A retina constitui a camada sensível do olho. Quando a luz atinge a retina, desencadeia uma série de reações químicas que provocam os impulsos nervosos. A passagem dos impulsos pelas camadas da retina ao nervo ótico e daí ao cérebro, é o que promove a visão.

Na retina, existem tipos diferentes de células responsáveis por ‘tipos’ diferentes de visão. Os cones captam os raios luminosos azuis, vermelhos e verdes. São as células da visão da cor e da visão diurna.

Os bastonetes são ‘pancromáticos’ (captam todas as cores) e são os responsáveis pela percepção de contrastes e da intensidade luminosa. São também os responsáveis pela visão noturna.

Sintomas

A PRA é uma doença que não causa ‘dor’ ao animal, e não provoca manifestações externas como vermelhidão ou aumento da produção de lágrimas. Por isso mesmo, a maioria dos donos de cães não nota nenhuma das etapas da evolução da doença.

Eventualmente, alguns podem notar um brilho anormal que dos olhos de seu cão, causados pela dilatação da pupila, que deixa de reagir de forma rápida aos estímulos.

Os primeiros sinais da PRA incluem dificuldades de visão noturna, o que pode causar muitos transtornos ao cão, que pode ‘perder-se’ na própria casa quando as luzes são apagadas. A PRA atinge normalmente primeiro os bastonetes e depois os cones, ou seja, os cães começam a apresentar dificuldades para estabelecer a visão dos contrastes e das diferenças de intensidade da luz.

A única forma de se determinar com precisão o diagnóstico é através de um exame específico da retina, chamado Eletroretinograma (ERG). Este exame é feito com o cão acordado e com estímulos de cores separadamente em cada olho. Os raios brancos, estimulam os cones e os bastonetes; azuis, que estimulam apenas os bastonetes e os vermelhos, apenas os cones. Este exame é conduzido necessariamente por um veterinário especializado.

A PRA não tem tratamento, embora existam estudos que sugiram o uso de terapias com vitaminas, assim como o utilizado por seres humanos portadores de retinite pigmentosa.





           


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